Testemunho do Mês

Meu nome é Gilson tenho 33 anos, sou de Belo Horizonte e faz sete meses que estou em São Paulo e o motivo por estar aqui é porque fui usuário de drogas por mais ou menos 16 anos, a metade da minha vida. Tudo começou aos meus 18 anos de idade, quando as portas do mundo se abriram para mim. Comecei a trabalhar, ganhar meu dinheiro e me sentir independente. Aos poucos fui fazendo amigos, saindo para baladas e em uma dessas saídas conheci a cerveja. Mais tarde o cigarro, era moda pessoas na minha faixa de idade beber e fumar. Passei a fazer parte de uma galera de cinco pessoas, tínhamos a mesma faixa de idade, sonhos parecidos, pais separados, brigas nas famílias e outros problemas. Depois de algum tempo passei a curtir rock´n´roll, comecei a relacionar com pessoas que curtiam esse estilo de música, passamos a ser amigos, freqüentar shows de rock e sempre nos reuníamos para ouvir um puro e bom rock´n´roll. Certo dia fui convidado para um churrasco entre amigos, fizemos uma ´vaquinha´ e fomos para a casa de um cara que morava sozinho e ficamos o sábado bebendo e comendo carne assada, quando um colega nosso que fazia uso de maconha enrolou um ´baseado´ e pôs na roda. Senti vontade de fumar para experimentar e pedi para dar um trago. Fiquei sob o efeito da maconha por umas duas horas. Ficamos nessa vida por um bom tempo. Passamos a comprar a maconha em maior quantidade e tínhamos prazo para pagar, então tivemos a idéia de vender a droga. Começamos na rua onde morávamos e depois fomos tendo pontos para cercar os usuários. Em pouco tempo já éramos conhecidos por muita gente que usava a droga, vivíamos cercados de falsos amigos e garotas. Só que esse nosso plano não prosperou porque conhecemos a cocaína. Passamos a cheirar aos fins de semana para nos sentirmos mais à vontade, corajoso e diferente dos outros. Com o tempo estávamos cheirando quase todos os dias e o dinheiro que ganhávamos com a maconha já não dava para sustentar o vício da cocaína. Certa vez fomos em uma favela buscar uma maconha. Chegando lá o traficante não estava e então ficamos em um bar tomando cerveja e aguardando sua chegada quando passou um conhecido e nos cumprimentou. Parou para conversar e disse que estava ali para usar um tal de ´crack´ Eu nunca tinha ouvido falar dessa droga. A garota que estava comigo disse que já havia usado e que era bom, mas que viciava. Como o traficante estava demorando resolvi experimentar o crack. Compramos uns dois papelotes e fomos para uma barraca onde havia uma mulher grávida que também usava a droga com seu marido perto de quatro crianças.A mais velha era uma garota que devia ter uns seis anos de idade. Ficamos ali por várias horas usando ´crack´. Sem perceber passei a usar a droga constantemente, quando percebi já estava viciado. Passei a faltar no trabalho, já não era o mesmo em casa, fui ficando rebelde, querendo ser o dono da situação, não aceitava que ninguém se metesse na minha vida, fui emagrecendo, já não comprava roupas, tênis e não ajudava em casa. Muitas pessoas tentavam me aconselhar a parar de usar droga, mas eu falava que estava sob controle. Engano meu, cada dia que passava eu me afundava mais e mais. Já não tinha vontade de fumar maconha, beber cerveja e passei a andar com os ´nóias´ do bairro. Em outubro de 2000 minha mãe faleceu. Foi um tapa na cara. Senti o mundo desabar sobre mim. Muitas vezes ela tentou ajudar, mas eu não reconhecia o amor que ela tinha por mim, por ela ser evangélica sempre achei que o que ela queria é que eu também fosse evangélico, por isso não dei ouvidos a suas palavras. Para mim a última coisa que eu queria era ser um crente. Achava que crente não vivia. Durante o dia eu ficava trancado em casa, quando começava a escurecer eu saia para a rua. Quase não via o sol. Minha família via o que estava acontecendo. Alguns tentavam ajudar, mas eu não conseguia enxergar o que estava acontecendo. Outros tapavam o sol com a peneira eu não tinha forças para reagir. A droga me dominou de uma forma que o dia em que não usava, me sentia mal, meu organismo necessitava da droga. Uma vez tinha um cara fazendo serviço na casa da minha irmã e perguntou se eu estava com algum problema, eu disse que não, ele falou que havia sido usuário de droga e que alguém o ajudou e poderia me ajudar também. Essa pessoa é Jesus, eu logo pensei: lá vem aquele papo de crente, e fiquei ali ouvindo o que ele tinha a dizer. Ele deu um breve testemunho de sua vida e isso mexeu comigo. Um certo dia Quando cheguei em casa tive uma surpresa, um irmão que mora em São Paulo que eu não o via há muito estava lá em casa. Notei que ele estava diferente, uma luz brilhava em seu rosto e me cumprimentou de uma maneira carinhosa. Achei estranho porque mal nos falávamos. Por ele ser cristão, sempre achei careta e não queria que ele se intrometesse na minha vida. Então ele me convidou para dar uma volta e fomos para a casa de sua sogra. Lá ele e minha cunhada conversaram comigo. Perguntaram se eu ainda usava droga, não precisava nem perguntar estava estampado em meu rosto. Depois me ofereceram ajuda e falaram sobre uma casa de recuperação e se eu estava interessado. Não pensei duas vezes e disse que sim, mas com aquele pensamento: será que eles vão querer que eu vire crente? Quando foi à noite me convidaram para ir a igreja e eu aceitei porque não tinha como dizer não. Chegando lá, tudo que o pastor dizia estava acontecendo comigo, mesmo sem entender a mensagem. Na hora do apelo senti vontade de ir à frente e aceitar Jesus. Foi como se tivesse tirado um peso dos meus ombros. No dia seguinte viemos para São Paulo, chegamos à noite, jantamos, dormimos e no outro dia mal respirei o ar de São Paulo e fomos conhecer a casa de recuperação. Nunca chegava e a ansiedade foi tomando conta de mim. Quando depois de um tempo chegamos. Era um dia de frio e chovia. Quando chegamos o Ricardo não estava e ficamos na sala esperando e vendo tv. Tinha uns três alunos, os outros estavam em seus alojamentos descansando. Depois foi aparecendo de um em um e de repente a sala ficou cheia. Depois chegou o Ricardo e o obreiro Rogério. Fomos ao escritório e eu falei um pouco da minha vida, que droga usava e eles me explicaram como funcionava o tratamento. Resolvi começar naquele mesmo dia. Conversei com meu irmão e disse que ficaria. Os primeiros dias foram difíceis. Saudade dos amigos, vontade de fumar cigarros e usar drogas. Aos poucos fui me entrosando com os outros alunos e percebi que todos tínhamos a mesma história, só mudava a personagem. Tinha dias que dava vontade de juntar minhas coisas e ir embora porque todo dia era a mesma coisa, culto de manhã, terapia ocupacional, almoço, descanso, as mesmas pessoas e isso era uma tortura. Havia uma turma que ia ao monte orar todos os dias de madrugada e falavam que Deus fez isso, falou aquilo e quanto mais eles oravam mais vontade de orar eles tinham. Certa vez a dispensa da cozinha estava vazia. Como a casa vive de doação andou faltando alimento e o pastor resolveu separar um grupo para orar por prosperidade da cozinha e me escolheu. Eu não sabia orar e cada dia um tinha que ler dois versículos sobre prosperidade, cantar dois louvores e orar pedindo a Deus que abençoasse a dispensa e levantasse pessoas para ajudar a casa. Uma semana depois começamos a receber doações e a dispensa não cabia mais alimento. Pensei comigo: não é que existe um Deus aqui mesmo! Resolvi experimentar entender o que é ser crente e ter a fé que os crentes sempre falavam. Passei a ir ao monte todos os dias e nada de sentir a presença de Deus. Achava que Deus não olhava para mim. Todos tinham algo para falar que foi Deus quem fez. Depois de um tempo indo a igreja e reuniões no celebrando a recuperação, que compreendi que para Deus fazer algo por mim eu teria que negar meu ego e as minhas vontades e deixar Deus trabalhar. Foi aí que comecei a ver os resultados, passei a me interessar pela palavra, pelos cultos e fui aprendendo a falar com Deus em oração. Meu coração foi quebrantando e cada dia que passava fui ficando dependente de Deus. Percebi que sem Deus a vida não tem sentido e que ser crente é viver, não apenas existir como antes. Depois de um tempo fui batizado e comecei uma nova vida. Hoje tenho sonhos e não pesadelos como antes, durmo tranqüilo e acordo sem nenhuma preocupação. Foi um tempo difícil enquanto estive na Reviver, porque depois que passei a fazer a vontade de Deus que reconheci a vida que eu levava, além das drogas eu cometia todos os pecados, prostituição, mentira, fornicação, e várias coisas que não agrada a Deus. Hoje creio que se não fosse pela misericórdia de Deus talvez eu não estivesse vivo, porque já passei por várias situações de morte. Antes achava que era forte, hoje percebo que foi a mão de Deus que me livrou da morte. Todos os dias agradeço a Deus pelas vidas que me ajudaram, a direção da casa, minha família, meus companheiros de oração no monte e o Rogério que foi peça importante no meu tratamento. Foi praticando seus ensinamentos, ouvindo sua história de vida que eu me conscientizei que só Deus poderia mudar minha vida. Hoje sou um novo homem, uma nova criatura.

Obrigado Jesus!!!